As várias faces de Kerli

Na minha opinião, a maior estratégia de um artista para se manter no movimentado meio musical é se reinventar. Madonna está aí até hoje para provar isso: sempre que sua imagem ficava desgastada ela retornava completamente diferente (vide a cowgirl de Music, a gueixa de Nothing Really Matters, a espiritualista de Ray of Light, a dançarina de discoteca em Hung Up, a adolescente de Papa don’t Preach… e por aí vai). A reinvenção permite que o público conheça um lado diferente do seu ídolo e concede ao ídolo em questão a chance de tornar sua carreira mais versátil – e atingir mais gente, afinal eles também precisam pagar as contas né nom?

Logo, eu valorizo muito quando um artista se reinventa. E uma das cantoras que vêm me conquistando cada vez mais é a estoniana Kerli, que mudou quase completamente sua arte – mantendo a assinatura Kerli de ser. Foi essa mudança recente que me motivou a escrever esse post. Mas antes de chegar nesse momento dela precisamos conhecer sua carreira.

Vamos lá?

Kerli Kõiv nasceu na Estônia e sempre foi apaixonada por música. Durante a adolescência ela chegou a competir em vários concursos e assinou um contrato com 15 anos, mas foi em 2008 que seu primeiro álbum saiu sob o título de Love is Dead. Com o tempo Kerli chegou a entrar na Billboard e se tornou uma das mulheres estonianas mais influentes do mundo.

O COMEÇO E O ÁPICE

No começo da carreira o som de Kerli era composto por músicas bem indies. Era fácil se contagiar pelo ritmo que mantinha uma certa raiz pop. O instrumental das músicas dessa era é realmente muito bom – dando destaque pra Love is DeadWalking on Air.

Ela se diferenciava de cantoras que surgiam na época por conseguir combinar o dançante do pop, o diferente do indie e uma estética fofinha-mas-perturbadora. E ela já amava metáforas e símbolos – e chroma key também heuejeeekp

O clipe de “Love is Dead” é extremamente simbólico. Kerli está passando por um término de relacionamento, então no começo do vídeo ela é uma mulher envelhecida e desgastada em um cenário triste. Conforme a música passa ela vai rejuvenecendo ao se libertar da influência de seu ex e tudo em volta se torna mais bonito. Quando ela está enfim livre surgem asas nela, permitindo que ela finalmente volte a voar em paz.

Posso resumir “Walking on Air” em: música boa, história de conto de fadas creepy, quartos estranhos, bonecas bizarras… vai ver agora. É Kerli. Vale a pena.

 

Nos tempos de Utopia Kerli atingiu seu auge. Sua sonoridade (principalmente a dos singles promocionais) se tornou extremamente pop, grudenta e dançante, muitas vezes combinada ao eletrônico, o que possibilitou que ela se tornasse mais tocada e mais conhecida. Seu estilo também recebeu um upgrade: Kerli passou a usar enormes plataformas, cabelos toxicamente coloridos, máscaras de pelúcia. Elementos sobrenaturais se espalharam por seus clipes, como os aliens de Zero Gravity e os elfos e unicórnios de Army of Love. Ela conquistou muitos fãs e sua fama se espalhou graças ao som mais acessível e agitado.

Eu tenho um fraco por coisas do País das Maravilhas, já que se referem ao meu livro favorito (falei sobre isso aqui *aracy da toptherm*). E Kerli trouxe de novo suas bonecas bizarras. Welcome to the tea party!

Talvez “Army of Love” seja o vídeo mais icônico da Kerli. Temos uma temática distópica e fantasiosa, incluindo cenas de Kerli sendo uma fucking master chefona e também uma hippie com unicórnios na floresta. Faz mais sentido assistindo ao vídeo, eu juro.

Sendo muito sincero, eu tenho uma relação de amor e ódio com o clipe de “Zero Gravity”. Gosto da música e de algumas cenas do clipe, mas o uso excessivo do chroma key dá uma aparência falsa pra ele 🙁 o que vocês acham?

 

A REINVENÇÃO

CHEGAMOS ONDE EU QUERIA! Confesso que foi graças a essa nova era que decidi escrever esse post, e é por ela que escrevi aquilo sobre reinvenção no começo do post. Chegamos a Feral Hearts.

Após sair de duas gravadoras, a Kerli sumiu da mídia – na qual crescia a cada dia. Voltou para a Estônia, seu amado país, e lá começou a compôr seu primeiro álbum independente – que será lançado no ano que vem. E esse álbum possuirá um dos conceitos mais maravilhosos que já vi: será inteiramente dedicado a lendas e seres mitológicos da Estônia.

A Kerli sempre disse que crescer em uma família ateia fez com que ela desenvolvesse um enorme interesse por espiritualidade. Ela já declarou acreditar em anjos da guarda e no povo das fadas, e em cada faixa já divulgada ela homenageia um aspecto de lenda. MARAVILHOSO. Sua sonoridade perdeu seu tom de mainstream e se tornou mais indie e menos caótica, tornando-se mais sentimental e graciosa. Me apaixonei profundamente pela nova Kerli. Vejam só:

SENTIRAM A FUCKING DIFERENÇA? “Feral Hearts” é uma das músicas mais delicadas que já ouvi… e o clipe. Ah, o clipe. O cenário da floresta estoniana é maravilhoso, a direção é incrível, e a Kerli está maravilhosa como a sereia Nakk, um espírito das árvores, uma deusa aranha e Valge Hirv, o veado branco. A FOTOGRAFIA! Nada de chroma key aqui. PRÓXIMA!

“Blossom” é não apenas a minha favorita da Kerli, mas também uma das minhas músicas preferidas da vida. É uma ode ao reino das plantas, em que Kerli encarna uma pequena semente que precisa não apenas sobreviver, mas florescer. A voz dela começa frágil e delicada como a semente, mas cresce durante a música, simbolizando o crescimento. E temos efeitos sonoros como batimentos de coração e gritos de resistência da Kerli. E o clipe é uma prova de que não precisa de uma super estrutura para criar um bom material. Ele é muito simples e brinca com as luzes e efeitos do computador para apresentar Kerli como a semente congelada que deve se tornar uma flor. O clipe é inteiramente dedicado às plantas medicinais da Estônia, que são representadas no vestido tecnológico da cantora.

Gosto ainda mais dessa versão do que da original. “Belo” não é um adjetivo à altura. É tão delicado e simples, mas muito significativo. O que é Kerli representando a flor no meio da neve com todos esses coros em volta? Ela está lindíssima, a propósito.

Fugindo mais da sonoridade anterior veio “Diamond Hard”. Adoro a batida dessa música, é muito boa de ouvir e dançar. E o clipe é outra obra de arte. Kerli representa o que para as lendas estonianas é alma: é a força de vida. Ela está cercada por essas pessoas cobertas de véus negros, simbolizando os problemas e provações. Para se proteger dos ataques exteriores e manter sua essência, Kerli se cristaliza – oi Kennedy Davenport – em um lobo.

O áudio de “Spirit Animal” me deu o pontapé para escrever tudo isso. É uma música excelente e mística: um excelente instrumental, letra artística cheia de metáforas de animais… quero clipe. Agora.

Vamos fingir que esse post não foi só uma desculpa pra panfletar a nova Kerli HAADPPKSKDSKS enfim.

Acho que a Kerli mudou muito para a melhor. Essa vibe mais mágica que a arte dela assumiu me chamou muito a atenção, porquê é algo muito diferente do pop de hoje: músicas sobre festas e amor majoritamente. Estou apaixonado pela Kerli e gostaria que ela recebesse mais reconhecimento, já que merece muito.

Fica a recomendação para vocês. Escutem Kerli e a panfletem, por favor. Ela merece. Vocês podem acompanhá-la no sitetwitter e facebook!

 

Pulsação congelada sob a neve

Eu tenho esperado, pronta para crescer

Tremor e tempestades resistíveis

Sonhando com um outro lugar quente

 

Enquanto minhas raízes se escondiam nas profundezas

E minhas folhas se apertavam

Eu senti a minha fé aumentar

Eu não só aprendi a sobreviver

 

Mas também aprendi a florescer

Eu aprendi a florescer, encontrando a luz no cinza

Sabendo que ficarei bem

Eu aprendi a florescer, encontrando a luz no cinza

Através de uma vida sem chuva

Eu floresço

                                                                               –  trecho  de Blossom

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  • Fernando

    Que post maravilhoso! Parabéns pela pesquisa! Muito completo e fala sobre vários pontos da carreira da Kerli! Gostei bastante 🙂

    • Gabriel

      Ah, muito obrigado! Fico muito feliz que tenha gostado hqepperkdkeuh A Kerli merece muito mais reconhecimento, ela é verdadeiramente uma artista… e evoluiu tanto! Espero que ela cresça ainda mais daqui pra frente 🙂