Resenha: A Bela e a Fera (2014)

Em 1980 um comerciante vai à falência devido ao naufrágio de seu navio. Ele se vê forçado se mudar para o campo junto com seus três filhos e três filhas, pois eles não têm dinheiro suficiente para se manter na cidade. De toda a família, a única pessoa que apoia o pai e se esforça para ajudá-lo é Bela, a filha mais jovem.

Quando surge a esperança de recuperar parte de sua fortuna, o comerciante parte em uma viagem e pergunta a cada uma de suas filhas o que desejam que ele traga da viagem. As duas mais velhas, egoístas e vaidosas, pedem presentes caros. Já Bela percebe que, mesmo que seu pai recupere as mercadorias do navio naufragado, não terão tanto dinheiro assim como o resto da família pensa. Assim, ela pede apenas uma rosa.

A viagem acaba se revelando inútil e o retorno difícil pelo mau tempo. Então, perdido no meio da floresta cheia de neve, o comerciante encontra um castelo magnífico. Ao entrar nele, ele vê que foram colocados, aparentemente de propósito, comida abundante e todos os presentes caros de suas filhas. Ao retornar, ele se lembra do pedido de Bela e corta uma única rosa das milhares que o rodeiam. Não poderia ter feito algo pior.

Uma enorme e bestial Fera surge, acusando-o de trair sua boa vontade e hospitalidade ao cortar uma de suas preciosas rosas. A pena para a infração é a morte. O comerciante consegue um tempo para que possa se despedir da família. No entanto, ele não contava com o que fosse acontecer. Para salvar a vida do amado pai, vida que foi colocada em risco pelo seu pedido, Bela decide morrer no lugar dele.

A Fera não mata Bela, mas permite que ela viva com ele. E lá ela encontra luxos inimagináveis, magia ancestral e uma triste história que envolve a vida da Fera, do castelo e da própria maldição. Assim, a repulsa que Bela sente pela Fera vai, aos poucos, se transformando em algo maior.

Vocês obviamente conhecem a história que eu contei acima. É a famosíssima A Bela e a Fera, que começou com contos de fadas muito antigos e se popularizou com o filme da Disney.

La Belle et la Bête é um remake francês de “A Bela e Fera” lançado em 2014, trazendo os astros Léa SeydouxVincent Cassel nos papeis do casal principal. Quer saber a minha opinião sobre essa adaptação de uma das minhas histórias preferidas? Então vamos lá.

Eu assisti esse filme quando foi lançado um tempo depois dele ter saído dos cinemas e lançado em DVD. Na época, eu não participava do ND (na verdade, nem conhecia a Carol), mesmo que ele já estivesse vivo. Então não comentei nada e quando nesse ano entrei para o blog (antes do nosso hiato)  acabei não lembrando de comentá-lo. Então ele foi transmitido na segunda pela Globo e eu revi o filme. E decidi resenhar aqui!

Eu gosto muito da história de A Bela e a Fera desde sempre. Gosto muito da mensagem que a história traz: algo deve ser amado antes que seja considerado amável. É algo que fala bastante comigo, além da Bela da Disney ser uma das princesas mais feministas e independentes que eu já vi. Logo, eu esperava bastante.

Primeiramente, devemos falar do apelo visual SENSACIONAL do filme. “A Bela e a Fera” entrou pra lista dos filmes mais bonitos que eu já vi. Os diretores artísticos tiveram EXTREMO cuidado com os detalhes, os cenários são simplesmente incríveis. Cada um deles é uma obra de arte, um colírio para os olhos. Apesar do chroma key ter sido usado em algumas cenas tudo parece extremamente real e palpável.

Algumas das locações mais bonitas incluem a floresta exterior do palácio da Fera, a floresta cheia de neve e, logicamente, o interior do palácio – que é completamente coberto de rosas.

Outro grande destaque da parte visual de “A Bela e a Fera” consiste nos figurinos. Os figurinos são simplesmente belíssimos, muito elaborados e visivelmente caros. Os personagens que vivem em meio ao luxo, como o casal principal, estão sempre usando pedras preciosas e peças elaboradas. As roupas mais “modestas” como as que os irmãos de Bela usam também são muito bonitas.

A Fera foi feita a partir de computação gráfica.

Agora vamos resenhar a história, pois é exatamente o que importa aqui.

A história é conduzida de um modo agradável, mas não sensacional. É colocada em paralelo com a história de Bela a história da Fera, o que traz um pouco de mistério para o filme. Quanto ao mistério, ele procura explicar como um rei poderoso e amado se tornou um monstro, consequência de suas ações imprudentes e insistentes. Gostei muito da história, achei bem poética.

Quanto à trama central, ela mistura elementos do conto de fadas original com criação própria dos roteiristas. Muita coisa que é apresentada no filme realmente é fiel ao conto original, como o fato de Bela ter irmãos gananciosos e mimados. Muita coisa é adicionada, como Astrid e a gangue de ladrões.

Os personagens diferem bastante entre si. Alguns têm carisma e realmente valem seu espaço no filme, como a primeira esposa da Fera. Já outros me deixaram desanimados, pois pareciam forçados. Entendo Léa Seydoux, interpretar Bela não é uma coisa fácil. Mas, embora seu esforço seja nítido, não fiquei muito empolgado com sua heroína. Vincent também foi prejudicado por toda a base tecnológica da Fera, mas se saiu bem nas cenas que exibiam seu passado.

Mas eu poderia relevar grande parte disso sem problemas. O que mais me incomodou foi justamente o que deveria ser o ponto central da trama: o romance dos protagonistas. A obra original (tanto a da Disney quanto os filmes clássicos também) é lembrada por seu romantismo, e é ele que mantém grande parte da história. No entanto, a condução do romance foi mal elaborada. Não aconteceu exatamente um instalove, mas o amor dos dois foi pra frente de um jeito muito abrupto. Se assistirmos à versão da Disney, vemos que Bela e a Fera têm bastante tempo para desenvolver o amor e o exploram em situações diferentes. Já nesse, não vemos fluidez. Se em uma cena Bela reclama do quanto odeia a Fera, na outra suspira por ele.

Entretanto, ele cumpre bem a sua proposta de ser um filme de contos de fadas. Se por um lado ele deixa a desejar no romance dos protagonistas ou na falta de carisma da atuação, ele compensa em doses enormes de beleza e perfeição estética. Vale muito a pena assistir nem que seja só pra se maravilhar com os belíssimos efeitos visuais e especiais. Quando estiver livre quero conferir outros trabalhos do diretor.

Resumindo, se você quiser uma obra divertida e carismática, é melhor assistir à versão da Disney e cantar junto suas músicas. Mas se você gosta de contos de fadas com uma pegada mais séria, dramática e cheios de uma fotografia deslumbrante, “A Bela e a Fera” é definitivamente um filme que você deve conferir e não irá se arrepender.

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