Resenha: The Iron King (Julie Kagawa)

In less than twenty-four hours I’ll be sixteen. Countless stories, songs and poems have been written about this wonderful age, when a girl finds true love and the stars shine for her and the handsome prince carries her off into the sunset. I don’t think it will be thay way for me.

Quando Meghan Chase completou 6 anos seu pai desapareceu. Não, ele não saiu de casa ou fugiu. O pai de Meghan simplesmente desapareceu, e a polícia nunca conseguiu descobrir como ou por que motivo.

Os anos se passaram e a mãe de Meghan se casou novamente. Da união nasceu o irmão de Meghan, Ethan. Meghan nunca se sentiu realmente parte de lugar nenhum, sendo ignorada pelo padrasto em casa e desprezada na escola. As únicas pessoas que sempre estavam com a garota eram Robbie, seu único amigo, e Ethan, uma criança tranquila, doce e meiga. Meghan amava Ethan e faria qualquer coisa pelo irmãozinho.

Conforme o dia do aniversário de 16 anos de Meghan se aproximava (para grande desânimo dela) começaram a acontecer coisas estranhas da noite para o dia. Meghan começou a se sentir vigiada e cercada, Robbie deixou de ser um garoto sarcástico e brincalhão para se tornar superprotetor… e, para a surpresa de Meghan, Ethan se tornou outra pessoa. O doce garotinho se tornou um verdadeiro demônio, aprontando e se metendo em situações perigosas. O mundo de Meghan desaba quando ela recebe a notícia (isso NÃO é spoiler) de que sua mãe foi hospitalizada devido a um acidente doméstico – e isso parece obra de Ethan.

Algo diz a Meghan que Robbie sabe mais do que diz e ela decide interrogá-lo. Ao encurralar o amigo e pressioná-lo, Robbie faz uma revelação chocante: Ethan foi trocado por uma criatura chamada changeling e está preso no mundo das fadas, Nevernever. E Robbie é ninguém mais ninguém menos do que Robin Goodfellow, o imortal Puck de William Shakespeare. Meghan então decide embarcar em uma viagem com Puck para trazer Ethan de volta – uma viagem da qual é quase certo de que ela não voltará.

“Off we go.” Puck sighed. “You coming, Grimalkin?”

“Oh, definitely.” Grimalkin landed with a soft thump in the snow. His golden eyes, bright with amusement, regarded me knowingly. “I would not miss this for the world.”

Antes de continuarmos com a resenha, é preciso esclarecer uma coisa.

O que você conhece sobre fadas? Você imagina garotinhas minúsculas e delicadas, que fazem sons de sino e se vestem com folhas e flores? Você acredita que as fadas soltam purpurina quando voam com asinhas de borboleta?

Pois, ao abrir The Iron King, ESQUEÇA. A autora apresenta para nós o folclore feérico original. Há muito tempo, as pessoas se juntavam para contar histórias. As pessoas acreditavam no Povo das Fadas e o respeitava. Mas as fadas, segundo as antigas lendas, não eram essas criaturas fofinhas. As fadas eram espíritos da natureza, que habitavam nos lugares mais profundos dos bosques. Embora fossem sobrenaturalmente belas, as fadas eram criaturas caprichosas e traiçoeiras. Não podiam mentir, mas alteravam a verdade contornando-a. E eram vingativas, se vingando impiedosamente de quem as insultasse. As fadas eram como a natureza: belas, sábias e poderosas, mas também severas e imprevisíveis. Era sábio respeitá-las e agradá-las, e principalmente se manter longe de suas danças. E nunca, jamais, faça trocas, barganhas ou pactos com uma fada. Ela irá cobrar.

Eu estava LOUCO para ler The Iron King. Pesquisando, descobri que o livro já havia sigo publicado no Brasil pela Underground, uma editora que faliu há um tempo atrás. Procurei pra comprar no Estante Virtual, mas não encontrei nenhum exemplar em português. MAAAS, procurei um pouco mais e acabei encontrando lá no EV um exemplar novo do livro em inglês por só 18 reais. Não pensei duas vezes e comprei.

Em primeiro lugar, achei o nível do inglês bem fácil, com umas poucas palavras mais complicadas espalhadas. Não tive dificuldades com o idioma, mas depende muito de cada pessoa 🙂 A escrita da Julie Kagawa é bem rápida, antes que eu percebesse já estava na metade do livro. É algo muito importante principalmente quando lemos em inglês ou outra língua, facilita demais a experiência e torna a leitura menos cansativa.

O livro é dividido em 3 partes, o que facilita bastante na condução da história. No entanto, reagi de modos diferentes lendo a cada uma delas. Vou explicar.

A primeira parte, de início, não me agradou muito ao apresentar um começo muito mais do mesmo. Vemos aquela mesma situação de colégio, intriguinhas entre populares e os “ninguém”, o crush ridículo no cara mais babaca da escola e muitos outros clichês. A coisa pega muito movimento quando essa parte passa e a estadia em Nevernever é a parte mais interessante do livro, me deixando super preso.

Fiquei extremamente animado com The Iron King se basear em grande parte em Sonho de uma Noite de Verão, minha peça favorita do Shakespeare. Vemos no decorrer do livro os imortais personagens de SDUDV, como o próprio Puck e os reis das fadas OberonTitaniaMab. Eu praticamente pirava sempre que aparecia um dos ilustres personagens que me acompanharam durante grande parte da vida.

Falando nisso, adorei cada detalhe da mitologia de fadas da Julie. Ela pegou criaturas de vários folclores diferentes e os reuniu para criar o seu. Nevernever se baseia muito nas lendas sobre a terra das fadas (onde o tempo é oposto ao nosso), nas caçadas imortais e até mesmo na separação entre Cortes Seelie (o verão) e Unseelie (o inverno). O que me confundiu um pouco foram os encantados do Ferro, que me deixaram com uma impressão meio wtf quando apareciam e me prejudicaram a gostar ainda mais do livro.

Os personagens foram outra questão. Gostei de alguns e desgostei de outros. Meus favoritos foram Grimalkin (sensacional), a Dríade Idosa, Ethan e Puck. Meghan me irritou como protagonista, pois ela só ficava gritando e esperando ser protegida, demorando a fazer algo que prestasse. Fica meio óbvio que Puck vai ser jogado pro lado e a Meghan vai pegar o Ash – e não tenho muita certeza dele como par romântico decente.

Mesmo assim, foi uma leitura divertida e eu pretendo continuar lendo os outros da série. Li no Goodreads que o segundo livro é bem melhor, pretendo dar uma chance.

A minha edição é um paperback, então é bem frágil. Ela veio com pequenos amassados na capa, o que é bem chato – mas não comprometeu a leitura. Prefiro hardcovers sem sobra de dúvida, mas não dá pra negar que é bem mais gostoso ler um paperback, graças a eles serem super leves e maleáveis. E o preço é um ótimo atrativo 😉 A diagramação do livro também é bem clara e muito bonita.

I felt the wild urge to join them, to throw back my head and spin into the music, not caring where it took me. I closed my eyes for a moment, feeling the lilting strains lift my soul and make it soar toward the heavens. My throat tightened, and my body began to sway in tune with the music. I opened my eyes with a start. Without meaning to, I’d begun walking toward the circle of dancers.

Resumindo, foi uma leitura bem rápida e fácil. Me decepcionei um pouco com alguns aspectos do livro, mas essas decepções foram contrapostas pela excelente mitologia de Julie Kagawa. The Iron King é o primeiro livro da série de 4 livros The Iron Fey, e planejo ler os próximos, mas não os spin-offs. Tomara que alguns dos pontos da trama sejam melhor explicados e a mitologia ainda mais expandida.

Tô na torcida.

 

  • Leia Ouvindo

Feral Hearts da Kerli, além de abordar seres místicos e a natureza, é super envolvente e combina muito com o universo de Nevernever. Fica a dica 🙂

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